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A explicitação de duas particularidades sobre estas imagens se faz necessária: a primeira é que este conjunto fotográfico está inserido dentro do limite da captação digital: as fotografias foram feitas com uma câmera de celular, trabalho este que vem sendo desenvolvido desde o começo de 2009 com um pequeno Sony Ericsson. A segunda particularidade é que a escolha em assumir o uso do celular como parte da linguagem fotográfica que utilizo hoje, surgiu de um processo de "arqueologia pessoal": durante os primeiros anos de formação artística, marcados pelo interesse pela pintura e pela frustração decorrente de ainda não possuir uma linguagem específica para problematizar e expressar minhas ideias, fotografei grande parte dos lugares e caminhos do meu cotidiano. Fazendo construções pouco sistemáticas, sem nenhum método formal, ignorando questões formais da própria fotografia, fui construindo um arquivo de fragmentos da cidade e de mim. Ao me deparar com essa coleção que aumentava continuamente no meu computador, senti necessidade de organizá-la; através do tratamento digital e da ampliação de algumas dessas imagens, acabei fazendo uma revisão desse cotidiano, atividade que me levou ao entendimento desses fragmentos, tanto do ponto de vista sobre a cidade, quanto sobre o que eu estava fazendo, uma mistura de retrato da paisagem humana da cidade e auto referência. Meu celular tinha se tornado um caderno de anotações, lugar de experimentação que proporcionava tratar das questões relativas à cor, ao tempo e ao espaço, com muita liberdade. A partir disso, consciente da escolha em usar o celular e inserir o meu cotidiano nas fotografias não como diário, mas como testemunha do mistério que resulta das relações entre as pessoas e a cidade, passei a utilizar a nova prática para refletir sobre essas relações.

flickr.com/alineguarato

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